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CQP — Controle de Qualidade de Projetos

Verificação sistemática dos projetos geotécnicos de um empreendimento ou de uma carteira: dados de entrada, cálculo, compatibilização entre disciplinas, atendimento normativo e construtibilidade — com registro rastreável de cada não conformidade e do seu tratamento.

Verificação por etapasCompatibilização entre disciplinasNão conformidades rastreáveis
O serviço

Qualidade de projeto não é revisão no final — é processo

A maior parte dos problemas geotécnicos que aparecem em obra não nasce de um erro de conta. Nasce de um dado de entrada desatualizado, de uma cota que mudou e não propagou, de uma sondagem interpretada de duas formas diferentes por duas disciplinas, de uma premissa registrada em ata que nunca chegou ao memorial. Nenhuma dessas falhas é detectada por uma conferência de cálculo no dia da entrega.

O Controle de Qualidade de Projetos ataca a causa: instala pontos de verificação ao longo do desenvolvimento, com critérios definidos antes, e trata cada desvio como um item com responsável, encaminhamento e fechamento. É o mesmo raciocínio que a indústria usa para controle de processo, aplicado à engenharia geotécnica e às suas interfaces com estrutura, terraplenagem, drenagem e instalações.

Funciona tanto em um empreendimento isolado com vários projetos geotécnicos correlacionados — fundações, contenções, aterro sobre solo mole, drenagem — quanto em uma carteira recorrente, onde o ganho vem de padronizar o critério e acumular aprendizado entre obras.

Escopo

As frentes de verificação

Cada frente tem critério próprio e evidência própria. Nada é verificado “por leitura geral”:

  • Dados de entrada — rastreabilidade de cada número usado no projeto até sua fonte: boletim de sondagem, laudo de ensaio, quadro de cargas, levantamento topográfico, com versão e data.
  • Consistência de cálculo — verificação independente dos elementos críticos e conferência de que os estados-limite exigidos foram todos tratados, e não apenas os usuais.
  • Compatibilização entre disciplinas — geometria, cotas, interferências enterradas, sequência executiva e conflitos entre fundação, contenção, redes e terraplenagem.
  • Atendimento normativo — confronto item a item com as normas aplicáveis e com requisitos contratuais, de licenciamento e de financiador.
  • Construtibilidade — se o método executivo previsto é viável no canteiro real: acesso, altura livre, vizinhança, nível d’água, sequenciamento e espaço para equipamento.
  • Controle de versões — garantia de que a revisão que está no canteiro é a revisão válida, e que alterações de premissa geraram revisão formal em todas as disciplinas afetadas.

Onde há instrumentação prevista, verificamos também se os níveis de atenção e alerta definidos em projeto são mensuráveis pelo plano de instrumentação especificado — uma incoerência comum e silenciosa.

Como conduzimos

Do plano de controle ao fechamento das não conformidades

NBR 6122 fundações
NBR 11682 estabilidade de encostas
NBR 6118 concreto estrutural
ISO 9001 gestão da qualidade

Plano de controle

Definimos com o contratante o que será verificado, em que marcos, por qual critério de aceitação e com que evidência. Sem plano acordado antes, controle de qualidade vira opinião de última hora.

Checklists por tipo de projeto

Listas de verificação específicas para fundações, contenções, aterros sobre solo mole, taludes, rebaixamento e drenagem — derivadas das normas aplicáveis e do histórico de falhas reais desse tipo de projeto.

Verificação nos marcos

Revisões em concepção, projeto básico e projeto executivo. Verificar cedo é o que permite corrigir premissa; verificar apenas no executivo só permite corrigir detalhe.

Registro de não conformidades

Cada desvio entra em uma lista única com descrição, referência normativa ou contratual, severidade, responsável pelo encaminhamento e situação. Nada fica em e-mail solto.

Verificação de atendimento

Reverificação dos itens após a revisão do projetista, com fechamento formal item a item. Um apontamento só é encerrado com evidência — não com a informação de que foi resolvido.

Relatório e aprendizado

Relatório de qualidade por marco, com panorama dos itens abertos e fechados por disciplina e severidade. Em carteiras recorrentes, os padrões que se repetem alimentam a revisão dos próprios checklists.

Aplicações

Quem ganha mais com controle formal de projeto

Incorporadoras com carteira

Vários empreendimentos simultâneos, projetistas diferentes e necessidade de um critério geotécnico uniforme entre obras — inclusive para comparar orçamentos de infraestrutura com base técnica coerente.

Indústrias e plantas em expansão

Ampliações sucessivas sobre um mesmo sítio, onde os dados geotécnicos históricos existem mas estão dispersos, e cada novo projeto reinventa a interpretação do subsolo.

Gerenciadoras e EPCs

Quem responde pelo conjunto sem ter elaborado as partes precisa de um mecanismo técnico — não apenas contratual — para verificar o que recebe de cada projetista.

Obras públicas e concessões

Exigência de rastreabilidade e de evidência documental de verificação, com histórico defensável diante de órgãos de controle e de fiscalização.
Como se diferencia

CQP, ATP e ATO fazem coisas diferentes

A ATP — Avaliação Técnica de Projeto é um evento: um projeto específico, pronto, analisado de forma independente e profunda, com parecer emitido. O CQP é um processo: acompanha o projeto sendo feito, em vários marcos, e cobre também as interfaces entre disciplinas e a coerência documental. Um não substitui o outro — em obras de risco relevante, o CQP costuma incluir uma ATP como um dos seus pontos de verificação.

O ATO — Acompanhamento Técnico de Obras começa onde os dois terminam: verifica se o que foi projetado é o que está sendo executado, e se o solo encontrado confirma a hipótese de projeto. Boa parte do valor do CQP aparece justamente aí — um projeto verificado gera muito menos decisão improvisada em canteiro.

Na prática, contratantes com obras recorrentes acabam combinando os três em uma única linha de controle: processo durante o projeto, avaliação independente nos pontos críticos e verificação durante a execução.

Dúvidas frequentes

Perguntas de quem contrata

A verificação é encaixada nos marcos que o cronograma do projeto já tem, e não como uma etapa adicional no fim. O que costuma consumir tempo de verdade é o oposto: descobrir na execução uma incompatibilidade entre fundação e contenção que estava visível no projeto básico. O plano de controle é desenhado junto com o contratante exatamente para caber no fluxo real do empreendimento.
Nossa responsabilidade técnica é geotécnica. O que fazemos nas outras disciplinas é verificar a interface: se as cargas que a estrutura enviou são as que a fundação usou, se a cota de terraplenagem é a mesma adotada na contenção, se a drenagem prevista é compatível com a hipótese de nível d’água do projeto. Verificação interna de cálculo estrutural ou elétrico não é nosso escopo.
Por efeito, não por gosto. Itens com impacto em segurança ou em desempenho estrutural vêm primeiro; depois itens que exigem complementação de investigação ou de informação; depois incompatibilidades entre disciplinas; e por fim oportunidades de otimização e melhorias de documentação. Cada classe tem um encaminhamento diferente, e isso evita que o projetista receba uma lista de cinquenta itens sem hierarquia.
Discordância técnica fundamentada é parte saudável do processo e fica registrada como tal, com a justificativa de cada lado. Se a divergência envolve segurança e não se resolve tecnicamente, o registro sobe para o contratante com o posicionamento das duas partes — nunca é encerrado por desistência.
Sim. Nesse caso a primeira ação é um diagnóstico do estado atual: quais dados de entrada estão rastreáveis, quais premissas estão registradas, o que já foi congelado e o que ainda é revisável sem retrabalho. A partir daí o plano de controle é dimensionado para o que ainda pode ser efetivamente influenciado.
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