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Durante a cravação contínua do CPTu, a ponteira gera excesso de poropressão no solo ao redor. Ao interromper a cravação numa cota de interesse — tipicamente uma camada de argila mole —, esse excesso não se mantém: a água começa a fluir e a poropressão decai no tempo até a condição hidrostática de equilíbrio (u0).
Registrando u2 a cada instante, constrói-se a curva de dissipação — poropressão versus tempo em escala logarítmica. O tempo para dissipar 50% do excesso, o t50, é a chave do ensaio: com ele e a geometria do cone calcula-se o coeficiente de adensamento horizontal ch pela solução de Teh & Houlsby — ch = T50 · r² · √Ir / t50.
Por medir o fluxo predominantemente horizontal (radial ao cone), o ensaio entrega o ch — mais representativo que o cv de laboratório para o desempenho de drenos verticais, mas que precisa ser convertido para o cv quando o projeto trata do adensamento vertical do maciço.
Animação · interativa
Acompanhe a cravação parar na argila mole, o excesso de poropressão dissipar rumo à hidrostática, o t50 marcado na curva e a conversão do ch em cv.
Curva e valores ilustrativos; c_h e c_v reais saem do registro de campo e da calibração com o oedômetro.
O ensaio mede o adensamento horizontal (ch), porque o fluxo em torno do cone é radial. Já o recalque de um aterro sobre solo mole, sem drenos, é governado pelo adensamento vertical (cv). A ponte entre os dois é a anisotropia de permeabilidade do depósito: cv = ch · (kv / kh).
Em argilas moles laminadas, kh costuma superar kv — a razão kh/kv típica vai de 1,5 a 5. Adotamos a razão conforme a estrutura do depósito e, sempre que possível, calibramos o cv resultante contra o ensaio de adensamento oedométrico de amostras Shelby da mesma cota — fechando o laço campo–laboratório.
Esse cv confiável é o que alimenta o dimensionamento de precarga, drenos verticais (PVDs) e prazos de recalque em obras de melhoramento de solos moles: define quanto tempo a obra precisa esperar e qual a sobrecarga necessária para acelerar o adensamento.
O ensaio de dissipação rende mais quando não vem sozinho. Trabalhamos com ilhas de investigação: um mesmo ponto onde se concentra um conjunto de ensaios complementares, que se calibram mutuamente e descrevem a camada mole por completo.
Numa ilha típica executamos, na mesma vertical:
Cruzando campo e laboratório no mesmo ponto, o ch da dissipação, o cv do oedômetro e o Su do vane e do triaxial validam-se entre si — e o parâmetro que vai para o projeto deixa de ser um número isolado.
Condição de equilíbrio para a qual a curva tende; define o fim da dissipação e o nível d’água de referência.

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