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Da chuva de projeto ao dreno que realmente funciona: dimensionamento hidráulico integrado à geotecnia, com filtro compatível com o solo, permeabilidade medida e a poropressão tratada como variável de projeto.
Praticamente toda ruptura de talude, toda contenção com deslocamento excessivo e toda patologia recorrente de pavimento tem água no mecanismo. A razão é direta: a resistência do solo depende da tensão efetiva, e a tensão efetiva cai quando a poropressão sobe. Drenar é, portanto, a intervenção de melhor relação entre custo e ganho de segurança que existe em geotecnia — e também a mais frequentemente subdimensionada, mal filtrada ou simplesmente não mantida.
Um projeto de drenagem completo trabalha em duas escalas. A superficial coleta e conduz a água de chuva antes que ela infiltre ou erode: canaletas, sarjetas, descidas d’água, dissipadores, bacias. A profunda retira a água que já está no solo ou que percola pelo maciço: trincheiras drenantes, drenos sub-horizontais, drenos de pé, colchões e drenos de base. A primeira é dimensionada por hidrologia e hidráulica; a segunda, por permeabilidade, gradiente e critério de filtro.
As duas precisam ser projetadas juntas com a solução geotécnica. Uma contenção sem drenagem é uma estrutura dimensionada para um empuxo que ela mesma provoca; uma análise de estabilidade com hipótese de lençol elevado costuma ser resolvida com drenagem por uma fração do custo de reforço estrutural.
Drenagem tem fama de projeto simples porque muita coisa nela é copiada. O que a torna confiável são quatro grandezas:
Onde o dreno tem função estrutural para a estabilidade, o projeto define também o que será monitorado: vazão de saída dos DHP e leitura piezométrica são a evidência de que o sistema continua operando — e a primeira coisa a verificar quando a instrumentação acusa deslocamento.
Topografia, delimitação das bacias contribuintes, uso e ocupação, coeficientes de escoamento e identificação de talvegues, nascentes e pontos de lançamento disponíveis.
Definição de período de retorno por tipo de estrutura, tempo de concentração, intensidade pela curva IDF regional e vazão de pico por método compatível com o tamanho da bacia.
Perfil do subsolo, permeabilidade por camada, posição e variação do nível d’água e identificação de camadas confinantes ou de fluxo preferencial.
Seções, declividades, velocidades e revestimentos da drenagem superficial; vazão captada, seção drenante e diâmetro de tubo na drenagem profunda; verificação de órgãos de saída e dissipação.
Reanalisar a estabilidade com a rede de fluxo e as poropressões esperadas após a drenagem, para demonstrar o ganho de fator de segurança que justifica a solução — e não apenas afirmá-lo.
Plantas, perfis e detalhes, memorial hidrológico-hidráulico, especificação de materiais e filtros, critérios de aceitação e plano de inspeção e manutenção — emitidos com ART.

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