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Projeto geotécnico de aterros sanitários

Barreira impermeabilizante, estabilidade do maciço de resíduos, recalques e drenagem de lixiviado e biogás. Antes de ser uma obra ambiental, um aterro sanitário é uma obra geotécnica — e é pela geotecnia que ele falha.

Conforme NBR 13896 e NBR 8419Impermeabilização + estabilidadeImplantação, alteamento e encerramento
O projeto

Três problemas geotécnicos ao mesmo tempo

Um aterro sanitário precisa resolver simultaneamente três questões que se interferem. A primeira é de contenção hidráulica: impedir que o lixiviado alcance o solo e o aquífero, o que depende da permeabilidade da barreira de fundo e da sua integridade ao longo de décadas. A segunda é de estabilidade: taludes de resíduo com ângulo de atrito e coesão próprios, apoiados sobre uma fundação natural que pode ser muito menos resistente que o próprio maciço. A terceira é de deformação: o resíduo recalca muito, por compressão mecânica e por degradação da matéria orgânica, e esse recalque tensiona geomembranas, quebra tubulação de drenagem e abre trincas na cobertura.

As três se cruzam de forma pouco intuitiva. Uma interface geomembrana–geotêxtil com baixo atrito pode se tornar a superfície crítica de ruptura de todo o maciço. Um sistema de drenagem de lixiviado que perde eficiência eleva o nível interno de líquido, aumenta a poropressão dentro do resíduo e reduz a estabilidade — o mecanismo por trás de várias das maiores rupturas de aterros documentadas no mundo.

Por isso tratamos o aterro como um sistema geotécnico integrado, e não como um conjunto de projetos independentes que se encontram só no memorial ambiental.

Componentes

Os sistemas que projetamos

Impermeabilização de fundo

Barreira mineral compactada, geomembrana de PEAD e, quando aplicável, GCL, com verificação da permeabilidade requerida, da compatibilidade química e do atrito nas interfaces. A NBR 13896 estabelece o critério de permeabilidade e a espessura mínima da camada mineral.

Drenagem de lixiviado

Camada drenante, rede de drenos de fundo, poços e estações de bombeamento dimensionados para manter carga hidráulica baixa sobre a barreira — requisito de estabilidade, e não apenas ambiental.

Drenagem de gás

Drenos verticais de biogás articulados com o alteamento, com atenção à pressão interna de gás, que reduz a tensão efetiva no maciço quando a captura é deficiente.

Estabilidade do maciço

Análise de rupturas internas ao resíduo, na fundação e ao longo das interfaces do sistema de revestimento, para condição de operação, de fim de construção e de longo prazo.

Cobertura e drenagem pluvial

Cobertura intermediária e final, geometria de bermas e canaletas, controle de erosão e minimização da infiltração — o modo mais eficiente de reduzir geração de lixiviado é não deixar a chuva entrar.

Instrumentação e monitoramento

Marcos superficiais, piezómetros e inclinómetros, poços de monitoramento de água subterrânea e níveis de atenção e alerta definidos em projeto.
Parâmetros que governam

O que precisa ser medido, não estimado

Aterro sanitário é uma das obras em que a distância entre parâmetro tabelado e parâmetro medido custa mais caro:

  • Permeabilidade da barreira mineral — verificada em laboratório sobre corpos de prova moldados na condição de compactação de projeto e conferida em campo por ensaio in situ.
  • Compactação e umidade de moldagem — a permeabilidade de argila compactada depende fortemente do teor de umidade em relação à ótima; controle de compactação e de densidade in situ é o que garante o que foi especificado.
  • Resistência da fundação natural — quando há solo mole sob a área, resistência não drenada por Vane Test e CPTu, e compressibilidade por adensamento.
  • Atrito nas interfaces — ensaios de cisalhamento direto em interface geomembrana–geotêxtil e geomembrana–solo, com a mesma tensão normal esperada em obra.
  • Parâmetros do resíduo — peso específico por profundidade, envoltória de resistência e taxa de recalque por degradação, calibrados com o histórico de operação do próprio aterro quando ele já existe.

Em ampliações e alteamentos, o aterro em operação é o melhor ensaio disponível: retroanalisar o recalque e o comportamento medido vale mais que qualquer correlação de literatura.

Como desenvolvemos

Da caracterização do sítio ao plano de encerramento

NBR 13896 aterros de resíduos não perigosos
NBR 8419 apresentação de projetos
NBR 15849 aterros de pequeno porte
NBR 11682 estabilidade de encostas

Caracterização do sítio

Investigação geotécnica e hidrogeológica: perfil do subsolo, profundidade e sazonalidade do nível d’água, direção do fluxo subterrâneo, disponibilidade de solo argiloso local para a barreira e caracterização das jazidas.

Concepção e geometria

Definição da configuração do maciço, cotas de fundo e de topo, inclinação de taludes, largura e espaçamento de bermas, faseamento das células e volume útil resultante.

Sistema de revestimento

Especificação da barreira de fundo e de taludes, com verificação de permeabilidade requerida, ancoragem da geomembrana, proteção mecânica e critérios de aceitação para a execução e a solda.

Estabilidade e recalques

Análises de estabilidade para as condições críticas de cada fase, incluindo superfícies pelas interfaces e a hipótese de nível elevado de lixiviado, e previsão de recalques para dimensionar folgas de drenagem e cotas de projeto.

Drenagens dimensionadas

Balanço hídrico e vazão de lixiviado por fase de operação, dimensionamento da rede de fundo, dos poços, dos drenos de gás e da drenagem pluvial superficial, com verificação de carga sobre a barreira.

Entregável e operação

Memorial, plantas de faseamento e de detalhes, especificações, plano de instrumentação com níveis de atenção e alerta, diretrizes operacionais e plano de encerramento — emitidos com ART.

Aplicações

Em que fase do aterro entramos

Implantação de novo aterro

Seleção e caracterização de área, concepção geotécnica e projeto executivo para licenciamento, incluindo alternativas de arranjo com o volume útil de cada uma.

Ampliação e alteamento

Ganho de vida útil por elevação do maciço ou expansão lateral sobre célula existente — o caso mais delicado, porque o novo carrega o antigo e o antigo já recalcou.

Encerramento e recuperação

Reconformação geométrica, cobertura final, drenagem definitiva e plano de monitoramento pós-encerramento de áreas degradadas e lixões desativados.

Aterros industriais e de mineração

Células para resíduos industriais, pilhas de estéril e depósitos controlados, com exigência de barreira e de estabilidade equivalente ou superior.
Dúvidas frequentes

Perguntas de quem contrata

A NBR 13896 estabelece exigência de baixíssima permeabilidade para a camada mineral de fundo, da ordem de 10-6 cm/s ou inferior, associada a uma espessura mínima. Na prática, o projeto define barreira composta — solo compactado mais geomembrana — e o valor especificado precisa ser demonstrado por ensaio no material real da jazida, na energia e na umidade de compactação que serão usadas em obra. Especificar permeabilidade sem ensaiar a jazida é uma das falhas mais comuns.
Porque o material é heterogêneo, fibroso e anisótropo, com resistência que varia com o grau de degradação; porque há pressão de líquido e de gás no interior do maciço; e porque as interfaces do sistema de revestimento criam superfícies preferenciais de baixa resistência que não existem em um talude natural. A análise precisa cobrir essas superfícies explicitamente, e não apenas buscar a crítica circular.
Nossa atuação é o projeto geotécnico e as investigações que o embasam — as peças técnicas que instruem o processo. O licenciamento em si, com seus estudos ambientais específicos, é conduzido pela consultoria ambiental do empreendimento, com quem trabalhamos de forma integrada para que o projeto e o estudo ambiental descrevam o mesmo aterro.
Entra em três lugares: nas cotas de projeto, que precisam prever a perda de volume ao longo do tempo; na declividade dos drenos de lixiviado, que deve permanecer positiva mesmo depois de recalcar; e no detalhamento da cobertura final e das conexões, que precisam absorver deslocamento sem rasgar. Onde há histórico de operação, calibramos a previsão com o recalque medido no próprio aterro.
Muitas vezes sim, mas depende de diagnóstico: geometria atual, resistência e regime de água no interior do maciço, existência e estado de qualquer barreira, e contaminação já ocorrida. O resultado pode variar de reconformação com nova cobertura e drenagem até a conclusão de que somente encerramento e monitoramento são tecnicamente defensáveis. O diagnóstico geotécnico vem antes da decisão.
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Serviços relacionados

Implantação, alteamento ou encerramento

O aterro projetado como a obra geotécnica que ele é