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Barreira impermeabilizante, estabilidade do maciço de resíduos, recalques e drenagem de lixiviado e biogás. Antes de ser uma obra ambiental, um aterro sanitário é uma obra geotécnica — e é pela geotecnia que ele falha.
Um aterro sanitário precisa resolver simultaneamente três questões que se interferem. A primeira é de contenção hidráulica: impedir que o lixiviado alcance o solo e o aquífero, o que depende da permeabilidade da barreira de fundo e da sua integridade ao longo de décadas. A segunda é de estabilidade: taludes de resíduo com ângulo de atrito e coesão próprios, apoiados sobre uma fundação natural que pode ser muito menos resistente que o próprio maciço. A terceira é de deformação: o resíduo recalca muito, por compressão mecânica e por degradação da matéria orgânica, e esse recalque tensiona geomembranas, quebra tubulação de drenagem e abre trincas na cobertura.
As três se cruzam de forma pouco intuitiva. Uma interface geomembrana–geotêxtil com baixo atrito pode se tornar a superfície crítica de ruptura de todo o maciço. Um sistema de drenagem de lixiviado que perde eficiência eleva o nível interno de líquido, aumenta a poropressão dentro do resíduo e reduz a estabilidade — o mecanismo por trás de várias das maiores rupturas de aterros documentadas no mundo.
Por isso tratamos o aterro como um sistema geotécnico integrado, e não como um conjunto de projetos independentes que se encontram só no memorial ambiental.
Aterro sanitário é uma das obras em que a distância entre parâmetro tabelado e parâmetro medido custa mais caro:
Em ampliações e alteamentos, o aterro em operação é o melhor ensaio disponível: retroanalisar o recalque e o comportamento medido vale mais que qualquer correlação de literatura.
Investigação geotécnica e hidrogeológica: perfil do subsolo, profundidade e sazonalidade do nível d’água, direção do fluxo subterrâneo, disponibilidade de solo argiloso local para a barreira e caracterização das jazidas.
Definição da configuração do maciço, cotas de fundo e de topo, inclinação de taludes, largura e espaçamento de bermas, faseamento das células e volume útil resultante.
Especificação da barreira de fundo e de taludes, com verificação de permeabilidade requerida, ancoragem da geomembrana, proteção mecânica e critérios de aceitação para a execução e a solda.
Análises de estabilidade para as condições críticas de cada fase, incluindo superfícies pelas interfaces e a hipótese de nível elevado de lixiviado, e previsão de recalques para dimensionar folgas de drenagem e cotas de projeto.
Balanço hídrico e vazão de lixiviado por fase de operação, dimensionamento da rede de fundo, dos poços, dos drenos de gás e da drenagem pluvial superficial, com verificação de carga sobre a barreira.
Memorial, plantas de faseamento e de detalhes, especificações, plano de instrumentação com níveis de atenção e alerta, diretrizes operacionais e plano de encerramento — emitidos com ART.

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