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Verificação sistemática dos projetos geotécnicos de um empreendimento ou de uma carteira: dados de entrada, cálculo, compatibilização entre disciplinas, atendimento normativo e construtibilidade — com registro rastreável de cada não conformidade e do seu tratamento.
A maior parte dos problemas geotécnicos que aparecem em obra não nasce de um erro de conta. Nasce de um dado de entrada desatualizado, de uma cota que mudou e não propagou, de uma sondagem interpretada de duas formas diferentes por duas disciplinas, de uma premissa registrada em ata que nunca chegou ao memorial. Nenhuma dessas falhas é detectada por uma conferência de cálculo no dia da entrega.
O Controle de Qualidade de Projetos ataca a causa: instala pontos de verificação ao longo do desenvolvimento, com critérios definidos antes, e trata cada desvio como um item com responsável, encaminhamento e fechamento. É o mesmo raciocínio que a indústria usa para controle de processo, aplicado à engenharia geotécnica e às suas interfaces com estrutura, terraplenagem, drenagem e instalações.
Funciona tanto em um empreendimento isolado com vários projetos geotécnicos correlacionados — fundações, contenções, aterro sobre solo mole, drenagem — quanto em uma carteira recorrente, onde o ganho vem de padronizar o critério e acumular aprendizado entre obras.
Cada frente tem critério próprio e evidência própria. Nada é verificado “por leitura geral”:
Onde há instrumentação prevista, verificamos também se os níveis de atenção e alerta definidos em projeto são mensuráveis pelo plano de instrumentação especificado — uma incoerência comum e silenciosa.
Definimos com o contratante o que será verificado, em que marcos, por qual critério de aceitação e com que evidência. Sem plano acordado antes, controle de qualidade vira opinião de última hora.
Listas de verificação específicas para fundações, contenções, aterros sobre solo mole, taludes, rebaixamento e drenagem — derivadas das normas aplicáveis e do histórico de falhas reais desse tipo de projeto.
Revisões em concepção, projeto básico e projeto executivo. Verificar cedo é o que permite corrigir premissa; verificar apenas no executivo só permite corrigir detalhe.
Cada desvio entra em uma lista única com descrição, referência normativa ou contratual, severidade, responsável pelo encaminhamento e situação. Nada fica em e-mail solto.
Reverificação dos itens após a revisão do projetista, com fechamento formal item a item. Um apontamento só é encerrado com evidência — não com a informação de que foi resolvido.
Relatório de qualidade por marco, com panorama dos itens abertos e fechados por disciplina e severidade. Em carteiras recorrentes, os padrões que se repetem alimentam a revisão dos próprios checklists.
A ATP — Avaliação Técnica de Projeto é um evento: um projeto específico, pronto, analisado de forma independente e profunda, com parecer emitido. O CQP é um processo: acompanha o projeto sendo feito, em vários marcos, e cobre também as interfaces entre disciplinas e a coerência documental. Um não substitui o outro — em obras de risco relevante, o CQP costuma incluir uma ATP como um dos seus pontos de verificação.
O ATO — Acompanhamento Técnico de Obras começa onde os dois terminam: verifica se o que foi projetado é o que está sendo executado, e se o solo encontrado confirma a hipótese de projeto. Boa parte do valor do CQP aparece justamente aí — um projeto verificado gera muito menos decisão improvisada em canteiro.
Na prática, contratantes com obras recorrentes acabam combinando os três em uma única linha de controle: processo durante o projeto, avaliação independente nos pontos críticos e verificação durante a execução.

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