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Parede diafragma, cortina de estacas, solo reforçado com geossintéticos, solo grampeado, gabião e muro de arrimo em concreto armado. Seis famílias de solução, um mesmo ponto de partida: o empuxo real, a água e a rigidez que a vizinhança tolera.
Toda contenção existe para equilibrar um empuxo — a pressão que o solo retido exerce sobre a estrutura. O que muda de uma solução para outra não é o empuxo em si, e sim como ele é equilibrado: por peso próprio, por engastamento, por ancoragem, por reforço interno do maciço.
Duas variáveis costumam definir o projeto mais do que a resistência do solo. A primeira é a água: pressão neutra atrás da parede pode dobrar o empuxo de cálculo, e a maioria das rupturas de contenção em obra começa com drenagem que não funcionou. A segunda é o deslocamento admissível: uma escavação ao lado de edifício existente exige rigidez que um muro de gravidade não entrega, mesmo que ele seja estável.
O parâmetro de entrada precisa ser medido, não estimado. Empuxo depende de ângulo de atrito e coesão efetivos — obtidos em cisalhamento direto e triaxial —, e a estratigrafia depende de investigação adequada: SPT, CPTu e, em rocha, sondagem rotativa com RQD.
Muros de gravidade (gabião, arrimo) são competitivos em alturas menores; acima disso o volume cresce mais rápido que o benefício, e solo grampeado, solo reforçado ou cortina passam à frente.
Vizinhança sensível exige rigidez: parede diafragma e cortina ancorada. Onde há folga para deformar, soluções flexíveis reduzem custo sem perder segurança.
Muro de gravidade precisa de base larga; solo reforçado precisa de faixa para o reforço. Em divisa fechada, solo grampeado e cortina executada de cima para baixo são muitas vezes as únicas opções viáveis.
Todo projeto sai com sistema de drenagem definido: dreno de paramento, barbacãs, geocomposto drenante, canaleta de crista e de pé. Drenagem não é detalhe de execução — é parte do cálculo.
Memorial de cálculo com verificações de estabilidade externa e interna, seções-tipo, detalhamento estrutural e de reforços, especificação de materiais, plano de instrumentação e ART.
Contenção é uma das poucas estruturas em que o carregamento real só se revela durante a execução. Por isso o projeto já nasce com plano de instrumentação: inclinómetros medindo o deslocamento horizontal ao longo da profundidade, marcos superficiais na crista e na vizinhança, e piezômetros confirmando que a drenagem está aliviando a pressão neutra prevista.
Definimos níveis de atenção e de alerta junto com o projeto — valores de deslocamento e de poropressão que disparam ação antes de o problema se tornar visível. Em contenções atirantadas, ensaios de qualificação e de recebimento de tirantes conforme a NBR 5629 completam o controle.
Esse fechamento de ciclo é o que separa um projeto entregue de um projeto verificado: o monitoramento confirma — com número — que a hipótese de cálculo se confirmou em campo.

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