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A fundação é a interface entre a estrutura e o solo. Projetamos sapatas, radiers, estacas e tubulões a partir do perfil geotécnico real da obra, verificando os dois estados-limite que importam: capacidade de carga e recalque.
Todo projeto de fundação responde a duas perguntas independentes. A primeira é de ruptura: o solo suporta a carga com a segurança exigida? A segunda é de deformação: o recalque previsto — total e, principalmente, o diferencial entre apoios — é compatível com a estrutura que vai em cima? Uma fundação pode ser segura contra ruptura e ainda assim inaceitável por recalque diferencial, e o inverso também acontece.
As duas respostas saem do mesmo lugar: o perfil geotécnico. Espessura e consistência de cada camada, posição do nível d’água, resistência e compressibilidade. É por isso que tratamos investigação e projeto como um único trabalho — quem interpreta o subsolo é quem escolhe a solução, e não recebe um relatório de terceiros para ler no escuro.
Quando a sondagem SPT não descreve o problema com precisão suficiente — argilas moles, siltes sensíveis, camadas finas intercaladas, estacas muito carregadas — indicamos os ensaios que fecham a lacuna: CPTu para estratigrafia contínua e resistência ponta a ponta, Vane Test para resistência não drenada in situ, adensamento e triaxial para os parâmetros de deformabilidade.
A solução não se escolhe por preferência, e sim pela combinação entre carga, perfil e restrições do canteiro:
Em obras com carga de tração, esforço horizontal ou momento — torres, galpões de grande vão, estruturas eólicas — o projeto trata esses esforços explicitamente, e não como caso particular da compressão.
Métodos semi-empíricos consagrados para estacas (Aoki–Velloso, Décourt–Quaresma, Teixeira) e formulações teóricas para fundações rasas (Terzaghi, Vesic), com os fatores de segurança e coeficientes de minoração da NBR 6122.
Esforços horizontais e momentos, tração e arrancamento, atrito negativo em aterros sobre solo mole, escavação vizinha, subpressão e efeito de grupo.
Definição do plano de controle executivo e, quando a NBR 6122 exige ou o porte justifica, especificação de prova de carga estática (NBR 16903) ou ensaio de carregamento dinâmico (NBR 13208).
Memorial de cálculo, planta de locação e cargas, detalhamento de armadura e de blocos, especificações executivas, critérios de aceitação e ART. Reuniões técnicas com a estrutura e com a executora fazem parte do escopo.
Quando a investigação é insuficiente, o projetista compensa com conservadorismo — e o conservadorismo tem preço: estaca mais longa, seção maior, mais elementos. Em obras de porte, a diferença entre um perfil geotécnico bem caracterizado e um perfil estimado costuma pagar a investigação complementar várias vezes.
O caminho oposto também é real. Investigação escassa em argila mole significa recalque não previsto, atrito negativo ignorado e patologia que aparece meses depois da entrega, quando a correção custa uma ordem de grandeza mais.
Nosso critério é simples: a investigação precisa ser proporcional ao risco geotécnico da obra, e essa proporção é uma decisão técnica documentada — não uma sobra de orçamento.

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