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Laboratório · Ensaios especiais

Cisalhamento Simples — DSS: resistência sob rotação de tensões

O ensaio de cisalhamento simples direto (Direct Simple Shear) mede a resistência não drenada do solo no modo de deformação que ocorre ao longo das superfícies de ruptura — sob aterros, fundações e taludes —, reproduzindo a rotação das tensões principais que o ensaio triaxial não representa. Versões monotônica e cíclica, para carregamento estático, sísmico e de ondas.
Su(DSS) a volume constanteMonotônico · CíclicoASTM D6528 · D8296
O ensaio

A resistência no modo em que o solo realmente rompe

No cisalhamento simples direto (DSS) um corpo de prova cilíndrico e baixo é confinado lateralmente — por uma membrana reforçada com fio ou por anéis rígidos empilhados —, adensado sob a tensão vertical de campo e, em seguida, cisalhado por um deslocamento horizontal do topo. A amostra se deforma como um paralelogramo, e o ensaio registra a relação entre a tensão cisalhante horizontal (τ) e a distorção (γ).

O que torna o DSS único é a rotação contínua das tensões principais durante o cisalhamento — exatamente o que acontece com um elemento de solo sob uma sapata, um aterro ou ao longo de uma superfície de ruptura. É uma condição que nem a compressão nem a extensão triaxial reproduzem.

A resistência obtida, Su(DSS), situa-se entre a da compressão triaxial e a da extensão, e por isso é peça central na caracterização da anisotropia de resistência de argilas moles. Combinada com os triaxiais, define a envoltória C·DSS·E usada em análises de estabilidade pelo arcabouço SHANSEP.

Animação · interativa

Ensaio DSS: da consolidação à ruptura

Acompanhe o corpo de prova adensar, cisalhar em paralelogramo e as tensões principais girarem — enquanto a curva τ×γ sobe até a resistência Su(DSS) e, a volume constante, a tensão vertical efetiva cai.

Cisalhamento simples direto · volume constanteINTERATIVA · τ · γ · Sᵤ
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Tensões e distorções ilustrativas; Su(DSS), τ×γ e a resistência cíclica reais saem do ensaio no laboratório.

O que medimos

Parâmetros do ensaio DSS

Do monotônico ao cíclico, o DSS entrega os parâmetros que os projetos de solos moles e obras offshore/near-shore exigem:

  • Su(DSS) — resistência não drenada no modo de cisalhamento simples, a volume constante.
  • Anisotropia de resistência — com os triaxiais de compressão e extensão, fecha a envoltória C·DSS·E para análises de estabilidade.
  • Normalização SHANSEP — razão Su/σ’v e sua variação com o OCR, para projetar em profundidade.
  • Resistência cíclica — razão de tensão cíclica (CSR), geração de poropressão e amolecimento cíclico para carregamento sísmico e de ondas.
  • Rigidez — módulo cisalhante mobilizado ao longo da distorção.

O modo a volume constante (Bjerrum & Landva / padrão NGI) reproduz a condição não drenada: a queda da tensão vertical efetiva equivale à poropressão que se geraria em campo.

Normas, parâmetros e entregável

Como a Testesolo executa o DSS

ASTM D6528 DSS monotônico
ASTM D8296 DSS cíclico
Volume constante NGI
SHANSEP normalização

Corpo de prova

Amostra indeformada (Shelby) talhada em disco baixo, confinada lateralmente por membrana reforçada com fio ou anéis rígidos que impedem a deformação lateral.

Adensamento

Consolidação sob a tensão vertical efetiva de campo (σ’v0) ou em múltiplos níveis, para obter a relação Su/σ’v pelo método SHANSEP.

Cisalhamento (D6528)

Deslocamento horizontal a volume constante até grandes distorções; registro contínuo de τ, γ e σ’v — Su(DSS) no pico ou na distorção de projeto.

Cíclico (D8296)

Carregamento cíclico por carga ou deslocamento controlado, com controle de volume; número de ciclos até a falha para dada CSR, curva de resistência cíclica e poropressão.

Entregável

Su(DSS), razão Su/σ’v e parâmetros SHANSEP, curvas τ×γ e cíclicas, e a contribuição DSS para a envoltória anisotrópica de projeto.
Aplicações

Onde o DSS decide o projeto

Aterros sobre solo mole

A superfície de ruptura sob um aterro cruza a camada mole em cisalhamento simples: Su(DSS) é a resistência governante da estabilidade.

Fundações offshore e near-shore

Estacas, âncoras e fundações superficiais no mar exigem resistência cíclica sob ondas — o DSS cíclico é o ensaio de referência.

Liquefação e sismos

Amolecimento cíclico e geração de poropressão sob abalo sísmico: o DSS cíclico mede a resistência à liquefação dos solos.

Estabilidade de taludes

Análises anisotrópicas (C·DSS·E) tornam o dimensionamento de taludes em argila mole mais realista e, muitas vezes, mais econômico.
Dúvidas frequentes

Perguntas de quem contrata

No cisalhamento direto a ruptura é forçada num plano pré-definido entre duas caixas. No DSS não há plano imposto: a amostra sofre distorção simples e uniforme com rotação das tensões principais, reproduzindo melhor a condição de campo e permitindo o controle a volume constante (não drenado).
Os triaxiais de compressão e extensão dão os limites da resistência; o DSS dá o valor intermediário, correspondente ao trecho horizontal da superfície de ruptura. Em solos moles anisotrópicos, o ideal é combinar os três (C·DSS·E) para uma envoltória realista.
Como a amostra saturada não drena durante o cisalhamento rápido, mantém-se a altura (volume) constante ajustando a tensão vertical. A redução dessa tensão vertical efetiva equivale à poropressão que se desenvolveria no ensaio não drenado convencional.
Sempre que houver carregamento repetido relevante: ondas em estruturas offshore/near-shore, tráfego, máquinas ou ação sísmica. Ele fornece a resistência cíclica e a geração de poropressão que os projetos dinâmicos e de liquefação exigem.
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